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sexta-feira, 13 de abril de 2012

Respeitem a vida humana!



“Eu te gerei antes da aurora” (Sl 109, 3)

Foi com uma profunda tristeza na alma que acompanhei a votação no Supremo Tribunal Federal (STF) a respeito do aborto de fetos anencéfalos. Não posso me calar diante dos fatos, porque, apesar de tentarem sufocar a opinião contrária a isso que considero crime - e aí eu destaco a postura desprezível e declaradamente tendenciosa da maioria dos meios de comunicação - , ainda vivemos numa democracia. Portanto, tenho não só o direito, mas a obrigação, como cristã/católica, de me manifestar. E digo, sem ressalvas, que sou CONTRA o aborto.

Alguém pode pensar que eu, assim como outros que lutam a favor da vida, sou insensível diante do drama vivido por tantas mulheres que, no auge do desespero, pensam ou optam por essa "escolha", como se isto fosse A solução para seus problemas. Não, pode ter certeza que não. Porque eu senti na carne e na alma o quão dolorosa é essa experiência. Já passei pela sofrimento do aborto (por causas naturais) e posso assegurar: não há nada de terapêutico nisso. Essa dor ecoa em nós, mulheres, em nosso companheiro e em nossas famílias por algum tempo. Deixa marcas... O sofrimento, porém, é parte da vida (ou você acha que não? em que mundo vive?) e, nesse caso, não foi consequência de uma escolha nossa. Eu não escolhi matar o meu filho para "aliviar" um sofrimento meu. Não sacrifiquei o outro por causa do meu puro egoísmo! É muito difícil compreender o que se passa, é verdade. "Por que comigo?" é a pergunta que martela nossa mente. Mas, com o tempo, vamos aprendendo que não temos o controle sobre tudo. Deus, sim, está no comando de tudo. A vida é dom, não há escolhas ou exceções em relação a ela.

E por que chamar aborto de "interrupção terapêutica" é absurdo? Porque um embrião/feto/bebê não é doença (e segundo o dicionário, terapêutico é o mesmo que tratamento das doenças)! Ele ou ela é, sim, uma vida, constituída em dignidade. Nesse pequeno ser vivo, assim creio, Deus já colocou uma alma e, por isso, ele deve ser protegido desde o momento de sua concepção. O homem não tem autoridade para decidir quem deve viver, ou até quando. Senão, o que se dizer das pessoas que se encontram doentes nos leitos de hospitais e já não tem o mesmo vigor de outrora? Descartaríamos, tal como se faz com o lixo?

Hoje a ciência nos diz que a anencefalia é incompatível com a vida, mas e amanhã, quem sabe? Somos testemunhas do quanto a medicina se contradiz o tempo todo, porque simplesmente as descobertas científicas acontecem o tempo todo! É claro que um bebê com anencefalia nunca terá a mesma "qualidade" de vida de uma criança em perfeito estado de saúde, mas é possível conviver com limitações, caso contrário, não se pregava tanto o discurso da inclusão social, que nos ensina a conviver com quem é "diferente". E quem me garante que esse diagnóstico médico é correto ou definitivo? Quantos erros têm sido divulgados pela mídia? Não estou querendo desmerecer os médicos, até porque acho que eles deveriam ser os primeiros a levantar a bandeira da vida, mas eu defendo que não podemos desistir na primeira oportunidade. Há algo chamado MILAGRE, e isso, meus caros, a ciência não explica.

Entre as coisas que mais me deixam indignada é ver a incoerência desses movimentos que são A FAVOR do aborto. Podem reparar: a maioria se inflama com um discurso em prol dos direitos humanos e da igualdade. Pois bem: em que o meu direito é maior do que o de um nascituro? E isso se torna ainda mais desleal porque esses pequenos filhos de Deus não têm chance de se defender! Isso, caso não percebam, também é ferir o direito de escolha de alguém!

A você que defende o aborto, eu pergunto: você gosta de viver, não gosta? Você gosta do fato de conviver com outras pessoas, de desfrutar de tudo de bom que nos é disponibilizado, não gosta? Então saiba que você está aqui porque, lá atrás, no começo da sua história, alguém respeitou o seu direito de ter essa vida aqui! Então, meu querido, respeite a vida de outro ser humano! Meu Deus, é tão difícil de entender isso? E essas pessoas se julgam tão instruídas... Quanta cegueira, quanta ignorância!

Mas e os direitos da mulher sobre seu corpo? Por acaso, um bebê é membro do corpo de uma mulher? É um acessório que ela pode colocar e retirar quando bem entende? Não! É uma vida à parte, portanto não cabe à mulher decidir se essa pessoa indefesa tem ou não o direito de vir ao mundo!

O fato é que as pessoas arrumam argumentos POBRES para justificar o que é inadmissível! Para o Estado, parece ser a solução mais fácil eliminar prontamente um ser humano por meio do aborto em vez de realizar todo um trabalho de conscientização com as pessoas a respeito do que é PATERNIDADE RESPONSÁVEL (alguém já ouviu falar?), ou mesmo prestar apoio psicológico e material àquelas mulheres e famílias que passam por essa situação tão difícil que é uma gestação de risco! É um absurdo pagar impostos e saber que esses não estão sendo investidos na melhoria do atendimento público à saúde, na promoção da vida, mas que podem vir a ser aplicados no assassinato de inocentes! Aborto não é e nunca será solução!

Outra questão que alegam: o Estado é laico. Sim, o Estado é laico. Mas esse mesmo Estado é feito por algumas pessoas (muitas, diga-se de passagem) cristãs/católicas ou que, independente de religião, vão lutar por aquilo que acreditam: a vida humana.

Eu poderia escrever muitas e muitas linhas sobre esse assunto. São muitas as razões pelas quais acredito que a vida deve ser respeitada, em todas as suas etapas, razões essas que têm a ver com minha religião, mas acima de tudo têm a ver com minha concepção a respeito daquilo que é ético, daquilo que é justo.

Essa discussão a respeito do aborto veio como uma "balde de água fria" sobre mim. Tenho refletido, de forma mais intensa, sobre o que nós, cristãos/católicos, cidadãos brasileiros, temos feito para evitar que essa "brecha" na legislação aumente, culminando com a descriminalização total desse ato. Muitas vezes, nós falamos, esbravejamos, colocamos nas redes sociais aquilo que nós consideramos como sendo uma das soluções viáveis para quem está pretendendo abortar: "Já que não quer o filho, então o dê para a adoção". Parece fácil, não é? O problema é que a maioria de nós também não assume a responsabilidade de cuidar desses filhos de Deus "rejeitados" por seus pais, pela sociedade! Precisamos ser coerentes com nosso discurso, caso contrário, ele está fadado a ser mero fogo de palha.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Meus cabelos brancos têm nome

Quando eu menos esperava, eles, meus cabelos brancos, já estavam lá, faceiros. E olha que eu nem cheguei aos 30... Seria genética, estética, estresse? Não sei. Mas começo a desconfiar que a balança está pendendo mais para o último peso. Culpa da vida, que é cheia de aflições e atropelos? Hum... Talvez não. Acho que o problema está na forma como tenho encarado esses momentos...

Eu queria ser mais tranquila, diria até mais irresponsável. Parar de sofrer tanto após pequenos deslizes, ou mesmo deixar de absorver preocupações por erros que não são só meus. Mas eu “teimo” em ser assim.

Quem me dera fosse isso apenas uma questão de escolha: eu escolho não ser perfeccionista, eu escolho não ser emotiva, eu escolho não ter preguiça de manhã, assim como eu escolho que roupa vou vestir ou o que vou fazer no próximo final de semana. Porém, como é que se muda uma personalidade? Alguém sabe? Porque há certas características tão intrínsecas a nós que fica difícil nos livrar delas! A gente luta, sofre, se desgasta, desiste, mas recomeça, pois lá no fundo a gente quer ser melhor e mais feliz.

Bom, só que “o tempo não para”, como dizia o poeta Cazuza, e eu preciso seguir a vida. Já que não consegui atingir esse meu “ideal de pessoa” (e é bom saber que provavelmente eu nunca consiga), respiro fundo. Às vezes, nem tanto assim, porque ninguém é de ferro! Quando transborda o limite da paciência, eu não aguento: brigo se for preciso, choro na maior parte das vezes. Porque me cobro, porque tento vencer meus limites e, nessa batalha, quase sempre perco...

Ninguém é perfeito. Eu sei, já me disseram muitas vezes. Eu também não sou. Estou longe, bem longe, eu garanto. Mas existem certas coisas que eu gostaria de mudar em mim (e nos outros!). Sei que leva tempo e que preciso aprender a esperar. Como sempre. Enquanto isso, que venham todos os cabelos brancos... Para eles, a solução é mais fácil.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um amor e um coração ferido

Penso que Deus escolhe muito bem as pessoas que coloca em nosso caminho, e, a cada dia, tenho tido mais certeza de que algumas têm uma missão bastante específica: a de nos santificar.

Não falo aqui daquelas pessoas que são verdadeiros anjos e que sempre nos trazem as palavras oportunas nos momentos certos, que estão sempre prontas para ajudar ou que compreendem sempre as nossas razões. Não! Refiro-me àquelas que são a pedra no nosso encalço, isto é, que nos incomodam, que nos perseguem, que nos esmagam com suas atitudes, mas que permanecem em nossas vidas porque não desistimos de amá-las.

Com sua infinita sabedoria, Jesus disse para amarmos os nossos inimigos, a fim de que, por esse amor insistente, pudéssemos lidar melhor com os limites de nossa humanidade. E é desse modo que nos tornamos pessoas melhores: à medida que aceitamos o outro como ele é, sem querer mudá-lo simplesmente de uma hora para outra.
É fácil? Definitivamente não! Principalmente quando esse nosso "inimigo" está bem perto de nós: na família, no trabalho, entre nossos amigos...

No fundo, atitudes ríspidas são reflexo de um coração ferido e inseguro, mas que não deixou de amar. E é por isso que não podemos desistir assim, nas primeiras tentativas. O sentimento ainda está lá: vivo, mas doente. Precisa ser recuperado e curado. "Como fazer isso?", você pode perguntar. Confesso que não sei, mas estou lutando para descobrir. Paciência, paciência...

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Seguir o próprio caminho



"Nunca se ressinta do sucesso de outro homem, filho. Lembre-se, cada um de nós vive seu próprio destino. Nossas vidas correm todas em vias paralelas - o sucesso dos outros não nos puxa para baixo, e seu fracasso não nos empurra para cima. Concentre-se apenas nos seus próprios boletins escolares e no seu trabalho".

A frase foi retirada do livro "A doçura do mundo", da escritora indiana radicada nos Estados Unidos Thrity Umrigar. Li-o recentemente e, dentre tantas lições que ele pode me oferecer, elejo uma: a necessidade de cada um de nós seguir seu próprio caminho.

É incrível como costumamos nos comparar com os outros. No trabalho, em casa, na sociedade como um todo, estamos sempre em busca de um referencial. Até aí, tudo bem. Bons exemplos devem inspirar nossas atitudes e, quando possível, mudar nossa postura, quebrar nossos paradigmas.O problema é quando nos deixamos levar pela vida dos outros e esquecemos quem nós somos.

Nenhum história é igual a outra. Temos nossas próprias qualidades e limitações, o que verdadeiramente nos torna únicos, especiais. Não podemos nos forçar a um caminho, a uma personalidade, a um estilo de vida, apenas porque esses deram certo para outra pessoa. Não podemos controlar o tempo e esperar que todas as coisas aconteçam dentro do que planejamos, ou mesmo nos impor metas inalcançáveis. Sabe qual o resultado para isso? Frustração.

Certa vez, eu conversava com uma pessoa que dizia se sentir infeliz na profissão, pois nada que havia pensado para sua carreira dera certo. A vida tinha tomado rumos diferentes, a maioria de seus colegas de faculdade eram hoje bem-sucedidos e ela estava dando ainda os primeiros passos em um segmento que, a princípio, nada tinha a ver com o que sonhara.

E eu pensei que comigo também foi assim. A diferença é que fui aprendendo a aceitar o que a vida me dá. Porque não adianta teimar com ela e ficar eternamente olhando para os lados à espreita de algo que, provavelmente, nunca virá. Não é fácil, é claro. Porque muitas vezes nós temos a prepotência de achar que está tudo sob controle e que nada irá contrariar nosso plano "infalível".

A estrada, porém, não chegou ao fim. Há muitos atalhos ainda. O que importa é o que vamos fazer com eles daqui para frente. Podemos ignorá-los, mas, ao mesmo tempo, correr o sério risco de perder nossa felicidade. E então? Que faremos?

Eu escolho e vou lutar pela liberdade de seguir meu próprio caminho, sem me preocupar se quem está ao lado engatinha ou está no auge da corrida. Enquanto houver chão, acompanham-no os passos e, de preferência, bem firmes.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A vida com o tempo

Com o tempo, você aprende que nem todas as coisas são possíveis, que nem todas as pessoas são iguais, que nem todos os finais são felizes. E que não adianta se debater, porque, no fundo, nós não temos mesmo o controle sobre tudo.

Com o tempo, você aprende que há certas circunstâncias inevitáveis e que será em vão se culpar por isso. E você percebe que as experiências - sobretudo as mais difíceis - é que fazem você ser quem é, porque ninguém mais poderia viver o que foi reservado apenas para você.

Com o tempo, você se convence de que não há nenhum motivo especial para ter acontecido isso ou aquilo; você é simplesmente um ser humano, e a dor é sempre uma possibilidade, assim como a alegria plena.

Com o tempo, você se desfaz das máscaras que te aprisionavam e descobre que, por trás de uma muralha de força e compreensão, há alguém frágil e inconformado. E você respira aliviado porque, sim, você não é tão "perfeito" quando imaginava(m).

Com o tempo, você aprende a dizer "não" e, com isso, a ser honesto consigo mesmo. Também começa a dizer "sim" quando a vida te pede mais uma chance, nem que seja para derrotar o medo e provar que é possível levantar outra vez.

Com o tempo, você começa a caminhar de forma mais leve, desfazendo-se do peso trazido por seus questionamentos, fracassos e - por que não? - sucessos. Você continua sonhando, mas já não carrega as expectativas de que tudo se dará da forma como você projeta.

Com o tempo, você percebe, enfim, que não fomos criados para encontrar todas as respostas, fórmulas e razões. A vida é e sempre será um mistério, que não cabe em nós, mas que foi feito para nós. Então simplesmente viva, e tenha a certeza de que isso já é tudo.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Notícias vazias



Nos bancos da faculdade, aprendi que o inusitado é um dos fatores que definem o que é ou não notícia. Tem até uma frase, famosa entre os profissionais de comunicação, que diz que "Quando o cão morde o homem, não é notícia; quando o homem morde o cachorro, é notícia".

Não sei o que estão fazendo desse conceito. Mas o fato é que as notícias têm despertado cada vez menos o meu interesse. Tem portal na Internet que leva esse critério ao pé da letra e delimita uma seção exclusiva para assuntos bizarros. Pessoas com comportamentos estranhos, animais com anomalias genéticas, acidentes inacreditáveis... O grotesco tem espaço garatindo na mídia.

No meio do bombardeio de fatos "curiosos", também imperam informações sem qualquer revelância, apenas porque dizem respeito a "personalidades". É a atriz que deixa celulite à mostra, é o cantor que é visto em um bar tomando uma cerveja gelada com os amigos, é o apresentador de TV correndo na praia e dando uma pausa para uma água de coco... "Vejam, eles são como nós!", alardeiam as revistas de celebridades. Isso não é óbvio?

A impressão que tenho é que o mundo está completamente anestesiado. É tanto lixo despejado sobre as mentes das pessoas, que, aos poucos, elas vão perdendo a capacidade de raciocício crítico e, se bobearem, sua própria autonomia. E isso vai desde as coisas mais simples, como copiar o visual da personagem popular da novela ou assistir a determinado programa só para não ficar de fora das rodinhas, até imaginar que ganhar muito dinheiro independe de esforço ou estudo, que basta ter um pouco de sorte e simpatia ou dar o velho "jeitinho brasileiro". Se os meios de comunicação mostram isso, então é verdade. É, Brasil... A gente se vê por aqui!

É uma pena que coisas realmente interessantes tenham tão pouca repercursão. Projetos que estimulem a criatividade de crianças e adolescentes, iniciativas que valorizem a vida e a família, propostas políticas que tragam benefícios para a população, lugares escondidos que mereçam ser visitados, ações de sustentabilidade vividas na prática... Tudo é mostrado como se fossem casos isolados, inéditos, quase beirando ao bizarro. Pauta fria, ou a "boa notícia" do dia. Enquanto isso, gastam-se tempo e dinheiro com factóides que não acrescentam nada. É a desonesta lógica da audiência, ou do velado desserviço público.

DICA: O filme "Uma manhã gloriosa", de Roger Mitchell, conta a história de uma produtora de TV que tem a missão de levantar a audiência de um jornal matinal. Para isso, ela lança mão de pautas de relevância duvidosa, mas que prometem agradar o público. Uma crítica que rende algumas gargalhadas.

sábado, 1 de outubro de 2011

A dor

O que a gente faz com a dor? Não falo da dor física, porque nas farmácias, não faltam remédios para curar, ou pelo menos amenizar, aquela sensação incômoda que vai tomando conta do nosso corpo. A dor a que me refiro é aquela causada por uma ferida aberta na alma, no mesmo lugar de uma outra que agora, sabe-se, ainda não fora cicatrizada.

Ter que seguir em frente é muito difícil, juntar os "cacos" e se fazer "inteiro". Parece que não há palavras ou atitudes que confortem. Nenhuma explicação é válida nessas horas. Pior ainda quando não há explicação... O acaso? A vontade de Deus? A ciência? Onde estão as repostas? Não é justo não conseguir encontrá-las... de novo!

A gente não sabe mesmo o que fazer diante da dor. A gente se sente tão impotente e frágil. A gente não sabe se chora para descarregar o peso, se olha para o lado e se distrai com outras questões, se agradece porque sempre pode ser pior, se desiste, se finge que esquece, se fica em silêncio, se aceita um abraço ou se esconde dos olhares alheios...

A gente só sabe que, na dor, a gente se perde. A gente se olha no espelho e se pergunta: "E agora?". Mais uma vez, não há respostas. E a única saída é esperar que os dias passem porque nem sempre há a possibilidade da escolha e você é praticamente obrigado a se conformar. O melhor mesmo seria pegar essa dor, colocar numa caixinha e jogar bem no fundo do mar... Mas se fosse algo assim tão simples, essa com certeza não seria a vida real.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Falsos juízes




"Foi você sim!", gritava do outro lado da linha uma arrogante senhora enquanto a atendente tentava explicar, com calma, que não, definitivamente não havia sido ela que lhe havia passado o número errado da central de atendimento. A senhora insistia com seu julgamento até que a atendente, em legítima defesa, alterou a voz e pediu que ela lhe deixasse falar. Ao que parece, a senhora se conteve um pouco, mas, poucos minutos depois, como uma criança birrenta, desligou o telefone sem dar muitas explicações.

Essa cena, eu presenciei hoje de manhã numa central de exames da cidade. E fiquei pensando em como nós podemos ser tão cruéis uns com os outros. "Ah, porque eu acho isso de você!"... "Olha, você está errado"... "Eu sei de tudo, tenho anos de experiência, você é que não sabe da vida...". Afinal de contas, pra que perder o tempo dialogando? Nós somos sempre os donos da verdade, não é mesmo? O outro é quem sempre tem de engolir as nossas opiniões. Apontar o dedo e julgar é sempre mais fácil do que abrir a mente para compreender e tolerar, ou simplesmente aceitar, mesmo a contragosto, que nem tudo funciona da forma como queremos, sobretudo quando se trata de pessoas.

O julgamento é a raiz de muitos males. E a razão é simples. Normalmente, o julgamento é carregado de injustiça e hipocrisia. Fala-se de algo que não se conhece a fundo. São sempre suposições, especulações, aparências... E o que estava apenas no plano das ideias converte-se em verdade absoluta. O resultado é que uma das partes (a que foi falsamente julgada) pode ter sua reputação jogada na lama, o coração despedaçado... Alguns, dependendo da gravidade do julgamento, podem até perder o sentido da vida...

Há aqueles que conseguem seguir seu caminho sem se importar com o que os outros pensam. Todos recomendam isso (uma receita infalível!), mas são poucos os que conseguem. Acho que desde que o mundo é mundo, o homem leva em consideração o que o outro pensa, e isso é bom... mas até certo ponto. Nossos valores são bens inalienáveis, que não se podem corromper. E há um detalhe sutil, que muitos parecem ter esquecido, chamado respeito. Graças a ele, as pessoas conseguem conviver, apesar das diferenças. Se não há, prepare-se para um caminho de pedras!

Precisamos finalmente entender que não somos juízes! Não temos o direito de impor sentenças a ninguém... Quando agirem assim conosco, precisamos nos defender, mostrar o nosso lado, como fez a atendente daquela central de exames. Quase sempre, é claro, "a senhora arrogante vai bater o telefone em nossa cara". Nesses casos, infelizmente não há muito o que fazer, a não ser seguir tranquilo e convicto, sem dar muitas explicações...

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mãe...



"Se você vier pro que der e vier comigo, eu lhe prometo o sol, se hoje o sol sair ou a chuva, se a chuva cair...". Por um rápido instante, quase um lapso, essa linda melodia de Geraldo Azevedo me veio à memória. E com ela, a lembrança da minha mãe e das vezes em que a vi sentada no sofá lendo um livro e escutando uma boa música.

Minhas recordações a seu respeito são vagas, pouco nítidas. Mas essa é mesmo a cena que eu gostaria de guardar. A de uma mulher bonita, inteligente e sensível. Uma pessoa iluminada e cheia de amor. Alguém firme em suas atitudes e opiniões.

Às vezes me pego pensando em como eu seria se a tivesse aqui ao meu lado. Como seria nosso relacionamento, nossos diálogos e até conflitos... Muitos dizem que me pareço com ela, tanto fisicamente quanto no jeito de ser. Não tenho dúvida que sim.

A meiguice, o sorriso, a sede de justiça, a serenidade no olhar, o amor incondicional aos seus queridos. O silêncio e o choro contido tantas vezes. O desejo constante de acertar. A impaciência e o drama diante de algumas situações que a vida nos apresenta. Sim, há traços dela em mim que, hoje, já amadurecida, consigo identificar.

Diferenças? Provalmente muitas. Não sou tão vaidosa quanto ela, embora tenha me esforçado, não simplesmente para imitá-la, mas para me sentir bem comigo mesma. Pode ser que no fundo seja a força da hereditariedade gritando em mim... Também não sou tão desinibida como ela; há muito já perdi o jeito para dançar, e isso ela fazia como ninguém...

Mas se tem algo que ela era e que eu almejo para sempre ser é forte. Mas essa força de que falo não é apenas a de se manter de pé quando vem uma provação. Até porque a própria circunstância de perdê-la cedo e, o pior, de não tê-la comigo nas horas mais importantes da minha vida, já representa um grande "teste" para mim. Eu falo de uma força interior de quem não teme as consequências das próprias decisões. A força de estar disposta a fazer o outro feliz, nem que isso lhe cause muitas lágrimas e dores. A força de quem dá a vida, não para ganhar aplausos ou elogios públicos, mas porque ama.

Para mim, esse foi seu maior ensinamento. E como tantas vezes escrevi para ela na infância, hoje eu reafirmo: "Mãe, eu te amo! Cada instante da sua vida foi um presente de Deus para mim.".

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Escolhas

Chega um momento em que você começa a se questionar: “o que estou fazendo da minha vida?”. Você se olha no espelho e percebe que, há muito, já não tem mais aquele mesmo brilho no olhar, e aquilo que deveria ser motivo de alegria e estímulo se torna um verdadeiro fardo.

Com certeza, não foi fácil chegar a essa indagação. Em muitos momentos, você tentou silenciar a voz que gritava no seu interior dizendo que poderia não ser aquele o caminho. Você não desiste facilmente. Precisa de motivos realmente fortes para mudar de rumo. Dá a si mesmo e aos outros muitas e muitas chances, lutando para acreditar que isso é só uma fase, que tudo pode melhorar.

Só que você começa a se “acostumar” com tristezas, dores, incompreensões, ausência de carinho e atenção... Por diversas vezes, se culpa, achando que o problema está em você, que não tomou iniciativas o suficiente para reverter o quadro. Você passa a achar que ser bom é isso: estar sempre disponível para o outro, anular-se... Tudo pela sadia convivência... nem que pra isso você precise silenciar o que pensa só por medo de não perder o outro, de causar algum constrangimento ou ruptura “sem motivo”...

Mas chega uma hora que não dá mais. Você já está esgotado, tentou de tudo, pelo menos o que lhe parece possível. Você sente raiva, finge que não está vendo, escreve "recadinhos", tenta uma conversa olho no olho, chora... Você se cansa de sorrisos forçados, diálogos vazios e cobranças descabidas... Aí uma luzinha acende: “Espera um pouco... Por que estou fazendo isso comigo? Estou lutando sozinho contra uma situação que não depende só de mim!”.

São Francisco de Assis foi muito sábio quando, em oração, escreveu: “é dando que se recebe”. E vice-versa, certo? Afinal, se não recebo amor, como posso continuar retribuindo? Se não sou perdoado, como serei livre para dar o perdão? Se não sou compreendido, como poderei compreender? Se não sou ouvido, como darei a alguém a oportunidade de falar? É um ciclo que só se movimenta se houver o comprometimento de todas as partes envolvidas. Caso contrário, ele estagna, deixa de existir e se esvai como a cinza...

Penso em como Deus pode ser tão paciente conosco, ao ponto de não desistir até nosso último suspiro. Por outro lado, sempre ouvi dizer que Ele não é “mal-educado”; do contrário, só entra em nosso coração e transforma a nossa vida se assim quisermos. E nós somos livres para escolher. O Senhor nunca obrigou ninguém a segui-Lo. Somente um coração cheio de amor e desprendimento é capaz de deixar o outro seguir, mesmo que por caminhos que – se sabe – serão cheio de pedras e lágrimas. Não se pode obrigar ninguém a nada, nem mesmo a amar. Nesse caso, talvez o melhor seja retirar-se, partir para uma nova estrada e esperar que, no final, todos sejam felizes. E se isso não acontecer, não há dúvida de que também foi questão de escolha.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O poder do "sim" e do "não"



Nesses dias estava lendo uma entrevista com uma atriz global. Em seu relato de dificuldades até alcançar o tão sonhado pedestal da fama, uma frase me chamou a atenção: "Um 'não' não muda nada. Só o 'sim' tem esse poder". Sábias palavras!

Infelizmente, muitos de nós não pensamos assim e ficamos completamente desestimulados diante das negativas que a vida apresenta. O "não" ressoa em nossas mentes por bastante tempo, cria raízes e, muitas vezes, faz brotar mágoa, desespero e dor.

Mas se formos refletir de maneira racional, realmente, um "não" muda em nada a nossa condição. Claro que afeta as nossas expectativas, mas é justamente essa negação que nos dá a possibilidade de testar nossa capacidade de persistência ou mesmo repensar nosso caminho.

Imagino que uma vida repleta de "sins" seria bem mais fácil, mas, por outro lado, completamente sem graça. Já pensou se tudo fosse programado segundo a perspectiva de cada um? O mundo seria uma confusão geral, e nós seríamos mais prepotentes, egoístas e despreparados.

E o que dizer do "talvez"? Afinal, sempre há saídas além dos extremos... Para alguns, ele é sinônimo de ilusão. "Pra que alimentar uma ideia que pode nunca se concretizar?". Sim, isso é possível... desde que você não tente. Eu prefiro pensar que, por trás desse advérbio, há uma pontinha de esperança de que as coisas podem dar certo um dia e, por isso, corro atrás. Se não der, paciência! Vamos nós de novo ao ponto de partida e, mais, com a oportunidade de construir algo completamente inusitado.

A vida não é uma caixinha de surpresas? Que tal, então, desembrulhá-la com o coração aberto a acolher quantos "sins" e "nãos" vierem, sem pressões, medos ou angústias? A nossa atitude diante de cada uma dessas respostas é o que, de fato, traz mudanças significativas para o nosso futuro. Além do mais, sempre existe um "talvez"...

quarta-feira, 15 de junho de 2011

A ambiguidade do tempo



Na manhã de hoje, uma amiga minha escreveu em seu perfil: "Quero que o ano acabe logo!". Embora tenha sentido uma enorme curiosidade de perguntar o porquê da frase, me contive e resolvi pensar no que leva as pessoas a desejarem que os dias passem mais depressa.

Alguns, talvez, querem se livrar de alguma pendência, que se arrasta e os impede de começar um novo projeto. Outros, quem sabe, esperam por uma data no ano seguinte que promete revolucionar suas vidas: uma viagem, o casamento, a chegada de um filho... São motivos alegres ou tristes, mas normalmente cheios de esperança e ansiedade.

É engraçado pensar que ainda existe quem pense que o tempo passa devagar. Com tantas atividades, o homem parece ter reduzido sua jornada diária pela metade. Porém, por mais que se façam cálculos, projeções e agendamentos, o tempo é e sempre será relativo. Porque o tempo é feito das circunstâncias, do imprevisível, e é também fruto dos nossos sentimentos e decisões.

A tecnologia é um exemplo dessa ambiguidade. Na mesma medida em que busca soluções para prolongar a vida humana, apresenta "facilidades" que nos tiram a autonomia, a disposição, a saúde, o tempo, a vida... Parece louco, não é mesmo? Mas é real.

Há aqueles que anseiam tanto pelo futuro que não aproveitam o presente, sem imaginar que a forma com que lidam com o hoje influenciará diretamente o amanhã. Existe ainda o movimento contrário: o das pessoas que vivem presas ao passado e vão incorporando seus traumas de tal forma que não se dão a chance de experimentar um novo tempo.

O tempo, esse mistério eterno... Complexo como só nós, seres humanos, somos. Por isso, ele não se explica, não se mede, não se molda tão simplesmente ao nosso querer. E como todo mistério, deve apenas ser acolhido e desfrutado em toda sua plenitude.

sábado, 11 de junho de 2011

A difícil arte da perseverança

Parece fácil dizer "tente outra vez" quando a derrota não é nossa. Mas quando é o nosso calo que aperta... a coisa muda de figura. A verdade é que ninguém gosta de perder. Perder significa dar de cara com nossos limites e, até que isso aconteça, nos julgamos "bons demais", não é mesmo? Das dores advindas de um fracasso, sobrevém a necessidade de superação. Mas e quando esses fracassos são sucessivos? Quando você insiste, persiste, mas não consegue?

A primeira ideia, e a mais confortável, é desistir. Desistir é mais fácil que recomeçar. O desgaste, o medo, a pressão psicológica (sua e dos outros) tornam mais árdua essa tarefa de, mais uma vez, se reerguer, dar a cara a bater, se lançar... E esse grande desafio, só VOCÊ pode encarar. Por maior que seja o apoio que receba, na hora "H", são apenas VOCÊ e SEU OBJETIVO. É o momento de você mostrar que está preparado e que não foi em vão o seu esforço.

Tudo parece perfeito, até que um pequeno deslize desestabiliza tudo e leva você a uma sucessão de erros... erros bobos e, por isso, imperdoáveis. Daí você desmonta, quer chorar, fugir dali... Enquanto isso, perguntas não cessam de martelar sua mente: O que pode ter dado errado se ensaiei tudo direitinho? Porque não consigo mostrar minha capacidade a quem realmente precisa saber?

Silêncio, desespero, lágrimas e uma triste conclusão: você não confiou em si mesmo. A insegurança é a grande responsável por minar as forças de qualquer ser humano. Principalmente daqueles que não admitem falhar. A saída? Calma, dirão alguns. Um milagre, talvez. Quem sabe a perseverança? Perseverança... talvez seja esse o caminho. Se não lhe resta outra solução, escolha tentar outra vez. E espere para ver.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Ela me faz tão bem...

"Só se tem saudade do que é bom, se chorei de saudade não foi por fraqueza, foi porque eu amei...". É verdade quando alguém diz que, para cada página da vida, há uma música. Se existe um trecho que muito significa para mim é esse, porque, ao contrário do que muitos pensam, é gostoso sentir saudade.

Nunca ouvi alguém dizer que sente falta de um momento que não foi bom. A saudade vem para nos recordar quão maravilhoso foi um determinado instante, por mais insignificante que ele pareça a outros olhos.

Tenho saudade de coisas simples. Um feriado na praia na companhia de familiares e amigos, as brincadeiras num chão de terra batida, o ar de liberdade desfrutado numa cidade do interior, o frio na barriga ao encontrar o primeiro namorado, a emoção de dizer "sim" no altar... Cada pedacinho da minha história me faz lembrar o quanto fui e sou feliz.

Falando assim até parece que a vida tem sido um mar de rosas... Ledo engano. Algumas passagens foram muito difíceis; diria até que quase insuportáveis. Mas passaram. Como acontece sempre. Dessas eu não tenho saudade alguma, mas reconheço o quanto foram importantes para eu ser quem sou. É mais leve caminhar assim...

Desejo ter a graça de uma boa memória ao envelhecer... Encerrar meus dias nesse mundo com a alma viva de lembranças... Pois enquanto houver saudade, existirá razão de ser e aqui estar...
"Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem, que eu também quero fazer isso por ela...".

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Dois lados

Eu vejo um mundo sombrio. Guerras, mortes, corrupção, fome, mentira. Eu vejo pessoas sem caráter e que mantêm as aparências acima dos valores. Eu vejo a injustiça, a desordem e o desrespeito conduzirem as relações humanas. Eu vejo a natureza destruída e o homem aniquilado por suas próprias atitudes. Eu vejo a miséria do corpo e da alma. Eu vejo o poder passar por cima da honestidade. Eu vejo a falta de diálogo que gera incompreensão e falsos julgamentos. Eu vejo o egoísmo que nos torna cegos perante os sentimentos alheios. Eu vejo a cobiça, a ganância e o apego às coisas que passam. Eu vejo a frieza dos corações e a falta de perdão que geram dor. Está tudo tão confuso... Tenho medo desse mundo e do que ele provoca nas almas. Sinto arrepios quando penso no futuro das próximas gerações. Já sinto angústia pelo hoje. Nem quero imaginar como vai ser o amanhã...

***

Eu vejo um céu azul e radiante. O nascer do sol me traz a esperança de que o dia será bom. Eu vejo a solidariedade humana diante da tragédia de seus semelhantes. Eu vejo o sorriso de uma criança que traz consigo uma paz tão grande... Eu vejo casais passeando de mãos dadas, à espera de um futuro harmonioso e cheio de amor. Eu vejo amigos que caminham lado a lado e representam com perfeição o significado da palavra lealdade. Eu vejo o colorido de um prato e sinto o prazer de poder saboreá-lo com calma. Eu vejo um filme na TV e me emociono ao constatar que os melhores enredos são baseados em fatos reais. Eu sinto a brisa no rosto, o cheiro das flores, o frescor da água e penso em como Deus foi generoso em sua criação. Eu vejo a vida nascer todos os dias e agradeço. Sempre.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Viver de sonhar

Hoje eu acordei com vontade de transformar alguns sonhos em realidade. Não que, antes, eu tivesse desistido. Porém, essa rotina atribulada e sistemática que levamos, aos poucos, vai minando nossa capacidade de idealizar e de acreditar que somos capazes de tirar os planos do papel.

É sempre um empecilho que bate à porta. Uma hora, é a falta de dinheiro; em outra é o tempo (ora cedo, ora tarde demais). De vez em quando, é a dúvida, ou mesmo a nossa pouca disposição de transpor barreiras. Isso tudo sem falar no medo, o grande vilão que surge exatamente nos momentos em que precisamos tomar determinadas decisões. Infelizmente, na maioria das vezes, deixamos que esses fatores nos vençam, ou melhor, derrotem. E, quase sem sentir, tornamo-nos coadjuvantes daquela que deveria ser a nossa própria história...

Não quero que os anos passem sem que eu perceba. E algo aqui dentro me inquieta a fazer algo para sair da "inércia". Preciso me descobrir, desvendar o mundo. A vida não pode ser apenas uma ordem natural das coisas. Parece óbvio, mas se não arriscarmos, como saberemos? Para cada tentativa que não deu certo, há um recomeço. Eu estou disposta a recomeçar, e você?

quinta-feira, 31 de março de 2011

Esperas...



Às vezes, tenho a impressão de estar caminhando sem objetivo. Fico o tempo inteiro tentando me policiar para não pensar assim, pois é preciso ter paciência e todos esses sentimentos que as pessoas citam quando você se encontra angustiada. Só que palavras assim não tem consolado a minha alma nesse momento. Fico frustrada porque vejo que as coisas estão andando num ritmo que não corresponde às minhas expectativas. É provável que eu esteja acostumada à rapidez dos últimos dois anos e agora, que as coisas parecem ter se estabilizado - ou melhor, estacionado -, sinto falta das mudanças, das surpresas.

Dizem que, para tudo, Deus tem um tempo, que é totalmente diferente do nosso. Mas, humana como sou, tenho limitações em viver essa espera, com a qual me deparo vez por outra... Talvez porque eu ainda não tenha aprendido. Talvez, de fato, eu precise confiar mais. Talvez o que Deus me pede é justamente um abandono total em Suas mãos, para que Ele possa ser verdadeiramente a luz que vai guiar os meus passos. Talvez eu ainda me perca naquilo que eu acho que é o melhor e não tenha conseguido enxergar o que Ele tem preparado para minha vida.

Agora, que ainda estou muito confusa, sinto que o melhor é silenciar. Desligar-me de tudo o que me angustia, seja no lado pessoal ou profissional. Descobrir o que Deus quer de mim, e também o que eu almejo. Realizar o que está ao meu alcance. Parar de me culpar pelas situações que não estão sob meu controle. Não sofrer por um futuro que, naturalmente, é incerto. E o fazer o que me parece mais prudente, apesar de difícil: ESPERAR. Não por ser mais fácil ou mais cômodo, mas porque em mim, mesmo aos troncos e barrancos, ainda sobrevive a fé de que o melhor está por vir e de que Deus cuida dos seus...

terça-feira, 22 de março de 2011

O tudo e o nada

Há poucos semanas, assisti ao filme "Moscatti, o doutor que virou santo". O longa traz a história de São José Moscatti, um médico italiano que viveu em Nápoles e se dedicou inteiramente aos enfermos e pobres, vendendo todos os bens que possuía para comprar remédios e alimentos aos necessitados. Em certa ocasião, ao reencontrar um velho amigo, Giorgio - este também médico, mas que, ao contrário, optou pelo "glamour" da profissão -, o resignado Moscatti, a essa altura da vida já "falido", falou-lhe: "Encontrei tudo no nada".

Essa frase, curta e aparentemente sem sentido, me causou uma certa inquietação, que palpita até os dias de hoje. Como assim encontrar tudo no nada? De onde vem essa capacidade de abrir mão da própria vida para assumir uma postura de completa doação aos outros, recebendo "nada" em troca? Sim, porque não foi somente às coisas materiais que ele renunciou, mas até à possibilidade concreta de construir uma bela história ao lado da pessoa que amava. Sua missão era tão grande que exigia dele todo esforço e tempo. Sem murmurar e por livre arbítrio, ele abraçou o chamado de Deus e tornou-se exemplo para os homens.

Moscatti encontrou tudo naquilo que a maioria considera nada: pobreza, cansaço, doença e até solidão. E para nós, qual será o significado de tudo? Dinheiro, sucesso, nós mesmos e nossos próprios interesses, paz interior, saúde, amigos, família? Onde estamos depositando nosso tesouro? Será que valorizamos o que realmente importa? E o que realmente importa para cada um de nós?

Algumas vezes, me pego refletindo sobre isso. Percebo que perco ainda tanto tempo com coisas desnecessárias... O que vou ser (e ter) no futuro? O que os outros pensam de mim? Por que essa situação é assim, não assado? A vida é tão mais que isso... Há tantas coisas "lá fora" - fora de nós mesmos, do que supomos, do que esperamos - que precisam ser valorizadas... Coisas essas que só percebemos na medida em que buscamos, questionamos, recomeçamos e descobrimos a que viemos.

Nesse momento, é isso que tenho feito: procuro conhecer minha missão nesse mundo. No caminho, determinadas "setas" têm me direcionado. Algumas convicções, muitas dúvidas... No meio, uma certeza tem surgido: desejo viver tudo o que Deus reservou para mim. Corajosamente. Mesmo que, para isso, eu tenha de perder algumas coisas, encontrando meu tudo naquilo que, para muitos, representa o nada.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

É hoje o dia da alegria!



Se pensássemos nas oportunidades que a vida nos dá de sermos felizes, não perderíamos tanto tempo com coisas pequenas. É hoje o dia da alegria e ele foi reservado para mim e para você. É uma dádiva, simples assim. Por que somos ainda tão resistentes?

Hoje, depois de alguns meses, estou de volta ao seio da terra natal. E é tão bom rever a família e saber que, o tempo passa, mas o amor permanece. A recepção criativa, o abraço caloroso, as palavras confortantes... Tudo isso é um sinal de que, sim, vale a pena estar vivo e lutar todos os dias contra os obstáculos que surgem pelo caminho.

Vencer sempre? Não necessariamente. As derrotas nos ensinam muitas coisas que não enxergamos nas vitórias. A humildade é uma delas. Reconhecer que nem sempre serei o melhor, que as minhas escolhas serão as mais bonitas ou que as minhas atitudes serão as mais sãs e corretas. Mas é só assim que amadurecemos: contando uma nova história, sem jogar fora os rascunhos. Deixando que as cicatrizes fechem, mas nunca se apaguem. Não sentindo vergonha do que já passou e que, por algum motivo, não foi tão bom quanto se esperava.

É hoje o dia da alegria! É hoje porque estou com saúde, tenho pessoas que me amam e, de alguma forma, me completam. É hoje porque Deus me concedeu mais uma chance de estar aqui, escrevendo esse texto e agradecendo pelo imenso presente que é a vida...

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Fazendo planos...


Final de ano é tempo de fazer um balanço do que passou e, sobretudo, de planejar. Eu, por exemplo, gosto muito de fazer listas nesse período. Nos últimos anos, algumas promessas têm ficado só no papel. Mas posso dizer que, na maior parte dos dias, aconteceram coisas muito melhores do que as metas que estabeleci.

No final de 2008, tinha prometido viajar mais em 2009 e fui além: mudei de cidade. Queria arrumar um emprego médio após terminar a faculdade. Resultado: passei em um concurso público. Alimentava o desejo de, quem sabe, ficar noiva e acabei casando no mesmo ano. Que loucura! Minha vida virou de cabeça para baixo!! Nunca vou me esquecer daquele ano e de como as coisas foram acontecendo e fugindo do meu controle. Posso afirmar sem medo: não poderia ter sido melhor...

2010 também foi especial. Casa nova, uma família a ser construída e muitos desafios pela frente. Algumas dores e frustrações. Muitas alegrias, sorrisos, surpresas e bênçãos. Colocando na balança, posso dizer: valeu a pena. Valeu a pena planejar e, ao mesmo tempo, perder o controle da minha lista de desejos e promessas. Deus sempre tem algo melhor a oferecer e eu estou aqui, de coração aberto, para receber esse presente.

Para 2011, anseio por alguns objetivos. Perder alguns quilinhos, conhecer alguma cidade do Sul do país, estudar, ler bons livros, assistir a mais filmes, escrever mais e melhor, dirigir sem medo, comprar um carrinho mais novo, cultivar minhas amizades, rezar... Desejo ainda paciência para aceitar as coisas que não posso mudar e sabedoria para acolher as novidades. O resto é simples: tocar em frente e ser feliz!

Um excelente ano novo para todos nós!